Que Brasil Temos e Teremos? A Pesquisa e Ação Pública em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

Fernando Marcelo (Coletivo Independente Balaio Cerrado)

O encontro realizado na Faculdade de Nutrição na Universidade Federal de Goiás recebeu grandes nomes nacionais da pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional para debater a temática. Este momento foi idealizado pela comissão organizadora do IV Encontro Nacional de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (EPSSAN) que acontecerá em Goiânia-GO nos dias 11-13 de setembro de 2019. A comissão local recebeu a comitiva da Rede Brasileira de Pesquisa em SSAN que na ocasião pode visitar os locais de realização do encontro bem como discutir a programação e a logística.

O talk show teve a presença dos pesquisadores e pesquisadoras Ana Segal (FIOCRUZ, Unicamp), Nilson Maciel (UFPR), Renato Maluf (CPDA/UFRRJ) e Sandra Chaves (UFBA). Como comentadores estiveram presentes Fernando Marcello (Coletivo Balaio Cerrado), Karla Hora (EECA/UFG), Vitor Freitas (FD/ UFG) As exposições de aproximadamente 15 minutos realizadas pelos debatedores, abordaram diversos temas e em seguida foram levantados pontos relevantes e provocações pelos comentadores.

O início do debate contou com a exposição da professora Ana Segall, demonstrando um panorama histórico e nacional da situação de SAN e Insegurança Alimentar e Nutricional. Foi abordado os modelos de pesquisas atuais, metodologias e ferramentas tanto a nível nacional quanto internacional. Um importante ponto levantado foi como instituições estrangeiras vêm abordando a percepção do indivíduo e da família sobre seu estado de SAN, levando em conta questões como a democracia e o estresse cotidiano.

O professor Nilson Maciel trouxe ao debate reflexões acerca da economia. Comentou o quanto os processos econômicos e a geopolítica mundial influenciam nas questões de SSAN e interferem no Direito Humano a Alimentação Adequada e Saudável (DHAAS). Maciel chamou a atenção para modelos capitalistas de gestão do estado e como estes se moldam conforme o atual momento político e social pontuando que “o neoliberalismo não é uma forma imutável de organização econômica, ele é fluido e constantemente empregado de forma equivocada a partir de aspectos mais gerais”. O que nos leva a refletir o quanto estamos nos apropriando de temas transversais no campo da SSAN.

Sandra Chaves, expôs como a agenda nacional no âmbito da pesquisa e da formulação de políticas que contemplem a SSAN são formadas. Apresentou modelos de organização, enfatizando momentos históricos importante no qual se compromete em averiguar a lógica das políticas de SSAN pós-golpe, período referido por ela pós-processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Chaves, há alterações significativas a partir dessas demarcações históricas e que devem ser bem observadas, principalmente fortalecendo a formação em saúde e valorizando modelos de pesquisa qualitativa.

Renato Maluf elencou aspectos importantes em se fortalecer uma rede de pesquisa em SSAN. A atual conjuntura exige um empoderamento e o mesclar de forças entre movimentos sociais, academia, atores políticos e instituições essenciais, na preservação de componentes importantes que possam garantir o DHAA como a democracia. Trouxe aspectos futuros e projeções preocupantes acerca da SSAN, já vislumbrada por especialistas em órgãos nacionais e internacionais.

De modo geral, os comentadores relacionaram as falas com o atual cenário, pautando questões locais e regionais. Pontos que convergem entre as falas observados: perda da democracia, precarização do trabalho, necessidade de reinventar os investimentos em pesquisas, necessidade de problematizar a formação, políticas de austeridade, fortalecimento de movimentos sociais.

Assim, o evento teve a duração de três horas e meia, demarcando importante debate não só para o conhecimento individual e a instituição receptora, mas para um agir coletivo a partir de tudo que foi exposto. É fundamental compreender a força política que pequenos momentos como este podem trazer, gerando reflexos de transformação em espaços de micropolítica e até mesmo de gestão. Importante também, para semear a cultura de paz a partir da percepção de que não estamos sozinhos, mas que precisamos nos juntar.

 

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